quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dia do Trabalhador???

E aê galera,

Quantos comentários, depois só dizem que leram. O interessante seria a discussão, mas tudo bem, nâo é Karlinha, Punkão, Nic, Sandney, Gemeos, TIaguinho.. tudo bem...
heheheh

Bom to sem muito tempo p escrever, mas irei terminar a o andamento do último texto. Tem um trema que falta ser posto para fechar o círculo.

Mas enquanto não escrevo, segue um escrito nos altos dos meus 22 anos. Muita coisa se passou, mas a roda rigou e voltei ao firmamento.

Quatro anos se passaram e, ainda, as coisas se repetem e parece ficar estático. O que será de mim e de ti?


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Sobreviver

O que vou falar agora será um desabafo sobre essa sociedade que não me deixa viver da maneira que quero, por causa do dinheiro necessário para sobreviver.

Isso é complicado. Nunca fui de fugir do trabalho. Sempre procurei ajudar meu pai, de uma maneira ou de outra (é bem verdade que tinha vezes que não queria ajudá-lo para ir me divertir). Antes de entrar na faculdade particular meus pais disseram que não arcariam o ônus, pois tinham pago colégio dito de qualidade (colégios em Alagoas não fazem um cidadão pensante, e sim mais um alienado) para eu entrar na universidade federal etc etc.

Contrariando a vontade de meus pais, resolvi prestar vestibular de uma faculdade particular na qual passei. Então para pagá-la, sempre procurei trabalhar. Fui revisor de material de um cursinho preparatório para vestibular, gerente de restaurante, chegando a trabalhar várias vezes sobre horários desumanos para conseguir honrar os deveres com a faculdade. Antes trabalhar 15 horas em um dia era uma idéia bastante abstrata para mim, no entanto quando menos percebi tornou-se realidade constante. Estava eu chegando 08 horas da matina e saindo 11 horas da noite. Mas tudo bem, apenas ficava cansado, não chegava a ficar estressado. Então, resolvi sair em busca de horários melhores de trabalho, como também de uma melhor remuneração. Terminei abrindo uma agência de publicidade com a turma da faculdade. No começo aquela expectativa, muito trabalho, contratos fechados. Mas como o mercado já tinha grandes agências, sempre batíamos de frente com estas e para não perder cliente baixávamos o preço. Chegava no final do mês quase sem dinheiro. Passaram mais alguns meses e achei melhor sair, pois precisava de dinheiro certo no final de cada mês para pagar a faculdade.

O tempo passa, continuei em busca de outro emprego e só fico fazendo “uns bicos”, até que me aparece uma excelente oportunidade de ganhar um bom dinheiro montando uma apresentação de um projeto para uma antiguíssima imobiliária. Fiquei bastante instigado para tal trabalho. Contudo o tempo foi passando, e os donos da imobiliária sem saber o que realmente queriam. Pediam algo, e imediatamente fazia. Mas quando mostrava... ahhh eles já tinham mudado de idéia. E fazia novamente, refazia, birefazia, trirefazia.... e por ai vai.... Sem contar que teve um dia que disseram “Pronto é isso que eu quero”. Cheguei em casa todo feliz. No outro dia lá vou eu com um sorriso enorme no rosto com o cd gravado para entregar o trabalho e o que me dizem? “Temos que fazer algumas modificações”... hehehe puts... paciência. Fui e refiz tudo o que eles pediram.

Fiquei tão preso a esse projeto que minha vida começou a não mais existir. Não tinha mais informações sobre a guerra, me falavam que o Beira-Mar estava em Maceió, e como não tinha acesso a nenhum meio de comunicação achava que estavam querendo tirar uma onda com minha cara. O que Beira-Mar estaria fazendo aqui? Mapeando Alagoas para expandir seus negócios ou apenas tirando umas férias? Sei lá, não tinha muito tempo para pensar nisso. Também, durante este tempo, perdi uma grana boa e a minha carteira de motorista, que depois a achei (somente a carteira, espero que o dinheiro tenha ido para o bolso de quem estivesse precisando). Realmente não sabia o que andava fazendo da minha vida em si, apenas queria finalizar o trabalho.

Foi no mínimo interessante chegar a tal ponto de abnegação da minha vida, e ao mesmo tempo chato, estressante, incomodo, angustiante, resumindo: péssimo. Todo mundo notava que estava estranho. E por causa de que? Da bendita mazela que corrompe a sociedade: o dinheiro.

Com isso percebi na pele o porquê de meus pais e alguns pais de amigos meus, as vezes, ficarem tão estressado. Se um dia seu pai chegar e tiver doido varrido deixe-o quieto, fazendo o que quiser... Por exemplo, não achem que sou doido, mas teve um dia, antes do show de 01 ano do Zine Fúria (acho que era isso), que quando cheguei em casa e vi que não tinha ninguém comecei a gritar feito um louco para desabafar... queria namorar, mergulhar, divertir, tomar todas com meus amigos, relaxar...

Bom é isso... Sei que o que irei falar é um bordão, mas vou lá... Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.

Como regra geral, as pessoas buscam individualmente uma saída qualquer para a escravidão, a miséria, a loucura em que o século XX se enfiou, e o XXI vai dando continuidade. Em sua luta individual pela libertação, o homem se esquece do fato de haver mais gente em igual situação, e até piores, e que a ação coletiva tenderia a ser muito mais eficaz que a busca solitária. Vamos criando cada vez mais o distanciamento de nossa essência, nos tornando mais sabeis, na ignorância de nosso ser.

Sofremos com a existência porque não existimos - pois para existir plenamente é preciso ter sua essência coisa que está nos faltando - simplesmente sobrevivemos. Eu agora, por exemplo, estou procurando o que me falta para viver livre.
Bom, não queria fazer deste espaço de um diário, só foi um desabafo. Para finalizar, gostaria de dizer que somos como um pássaro. E um pássaro não consegue voar antes que suas asas se encham de penas, e as nossas ainda não têm penas suficientes para podermos nos libertar deste sistema que nos sufoca cada vez mais. Espero que vocês entendam o que quis passar, não quero que os trabalhadores deixem de trabalhar por causa do estresse, apenas quero dizer que acredito que a humanidade em geral ainda não está preparada para VIVER, pois ainda existe muita inveja, muito egoísmo, muita ambição e muita falta de sinceridade. O dinheiro nos faz escravos dele e enquanto não conseguirmos nos conscientizar que o dinheiro não é tudo, e que existe muita coisa mais valiosa que esse simples pedaço de papel, seremos apenas um pássaro com asas, mas sem pena.

Mas, por favor, quem tiver um trabalho legal para me oferecer, e que não deixe nenhum cidadão normal muito estressado e louco estou as ordens.... hehehehehehehhehehehheehehehhehehehehehehe

Farows e intrex