Estamos vivendo a maravilhosa contribuição da corrupção para nos enxergar e compreendermos. Como já diziam, a “contribuição milionária de todos os erros!”. Oportunidade única. E diante disso, temos a debandada da classe média e alta. Como explicá-la? Estamos entregue à ditadura da mentira, manipulada pelos “detentores do poder” com a conivência dos poderes, com as denúncias, com provas cabais, com evidências solares, tudo diante dos nossos olhos impotentes, e... Estamos calados. Quando se manifestam isoladamente, como suspiros esparsos, emitem um mal-estar “superior”, um lamento dolorido.
Em tempos de esperança, a famosa e bem conhecida definição de democracia feita por Abraão Lincoln (um presidente decisivo no aprofundamento da democracia americana), segundo a qual o governo deve ser do povo, para o povo e pelo povo, serve como guia para certas práticas que nós tendemos a esquecer ou bloquear.
Homens decentes (Sapucai, Barenco, Mendonça Neto e outros tantos) buscam uma solução que não vem, porque nossa estrutura institucional é um rio sem foz. Este imenso espasmo de verdade, esta brutal explosão de nossas vísceras nunca vistas antes talvez seja perdida porque as manobras do atraso trabalham unidas para que a mentira vença. A verdade tem de ser tapada de qualquer jeito, para que a miséria extrema alagoana continue como sempre foi. Quando haverá manifestações da sociedade para confrontar o que vemos à nossa frente? As denúncias têm provas e continuam negando tudo, desconstroem evidências? A muralha dos poderes resiste diante das palavras. E os canalhas ainda se sentem protegidos pelo labirinto do Judiciário, pois até o momento não foram ou não continuam presos.
A covardia intelectual é grande. Há o medo de ser chamado de reacionário ou careta ou de perder regalias irregulares conquistadas e/ou ser mal visto.
Restam os que olham em pânico o que está acontecendo e não sabem como reagir? Por quê? Tenho algumas teorias. A mais ampla é que a situação atual mexe com dogmas. Isso é como se tocasse na virgindade de Nossa Senhora. Quem está disposto a entender e mexer com o mito fundador de Alagoas??
Sim, e Abraão Lincoln??? Do povo, para o povo e pelo povo
Refere, sobretudo, à interação entre governo (ou, se quiserem, Estado ou aparelho governamental) e povo (ou a sociedade e seus valores). Pois quando se fala em governo do povo, faz-se uma reviravolta que deixa louco os “nossos senhores feudais”. Como, perguntam, um governo pode ser do povo se o povo é, a princípio e por definição, desorganizado, ignorante, individualista, malformado racialmente, mal informado, não-homogêneo, infantil, etc., etc., etc...
A visão negativa do povo é um carga pesada, para não mencionar o problema talvez mais complexo, mas fundamental para uma pesquisa, que é saber como nós, de todas as classes sociais, representamos e pensamos o povo entre nós. A ausência de definição é boa, porque serve para continuar atuando em seu nome. Exatamente como ocorria na época em que Lincoln - que, entre outras coisas, emancipou os escravos americanos em 1862 - escreveu sua feliz definição de um regime democrático-igualitário.
Mas, cabe perguntar, como isso é entendido? Como é que, no nosso dia-a-dia marcado pelos estilos hierárquicos de convivência social e conivência com a malandragem entendemos esse do povo, para o povo e pelo povo?
A beleza da formulação de Lincoln é que ela diz que a arte de governar tem a ver tanto com coisas grandiosas, como libertar escravos, liquidar a inflação ou propor zerar a fome, quanto com coisas pequenas e rotineiras, como conferir ao povo a confiança no governo que deve ser como ele. Se recebemos bem as pessoas em nossas casas, por que temos que ser maltratado, e até mesmo ignorado, pelos governantes?
Nesse sentido, o para o povo diz respeito aos grandes movimentos palacianos e políticos: as canetadas administrativas que nomeiam secretários e assessores competentes e fazem nascer projetos espetaculares que são o passaporte para o futuro. Já o do e para o povo, falam das rotinas administrativas que permitem criar igualdade, entrelaçando povo e governo como parte e parcela de um mesmo ideal de vida.
Então, se o governo é do povo e para o povo, como aceitar como normal: secretários, assessores parlamentares, cargos comissionais serem preenchidos por incompetentes, relapsos, e muitas vezes corruptos? Novo Conselheiro do Tribunal de Contas ser parente próximo de preso na Operação Taturana e também está indiciado na mesma Operação da PF? Deputados disputando vaga de conselheiro do TC com voto atingindo lance de R$ 200 mil, segundo o portal TudoNaHora? Vale ressaltar que o TC fiscaliza as contas públicas e, aqui em Alagoas, serve para ter os políticos nas mãos através de chantagens e formação de “blocos políticos”.
Essa interface do Estado com a sociedade tem sido o calcanhar-de-aquiles de todos os governos. Pois sai Império e vem República, sai ditadura e vem democracia, saem os "burgueses" e entram os "trabalhadores" e o velho balcão continua o mesmo. Há uma enorme insensibilidade para a nossa pesada tradição de feudo coronelista e para com a nossa cultura da espera, ato costumeiro e habitual de uma sociedade hierarquizada que faz democraticamente o governo, mas que com ele não governa.
Por isso, pergunto: quando haverá uma manifestação séria da opinião pública? Uma ação continuada de notáveis para impedir este jogo de carniça entre os poderes, esta vergonha que humilha e impede o nosso crescimento? Vamos continuar de braços cruzados?
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
E aê já escolheu a quadrilha que irá dançar ou ao menos observar??
Ops... já estou escrevendo novamente.
Alguns comentários questionam o que podemos fazer para mudar o quadro atual. Boa pergunta. E resposta simples. Mudar os nossos hábitos. Mas a implementação não é tão simples assim. Quem está disposto a mudanças?? Dizem que todos estão propícios a mudanças quando temos a consciência que será para melhor.
Mas o que é melhor para a sociedade? Extinguir o bem bom dos privilégios? Conheço algumas pessoas que vem de outros estados que alegam que nossa terrinha é bom, porque a concorrência no campo de trabalho é fraca. E será que queremos nos tornar competentes no que fazemos realmente ou sabemos que se isso acontecer teremos que nos esforçar mais e ter menos tempo de lazer?? Aonde estão os índios Caetés guerreiros que nada temem??? Será que os europeus conseguiram dominar a tudo e a todos???
“Insanidade é repetir as mesmas ações e esperar resultados diferentes”. Já disseram isso e não compreendemos. Queremos realmente uma Alagoas próspera, VIVA, com oportunidade para os seus filhos serem dignos???
Pois bem, honestamente nunca se fez tanto, será? (Quantas dúvidas tenho, não??)
Vamos recordar alguns fatos:
Ronaldo Lessa indiciado devido as migalhas dos R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais) oriundo do Estado do Paraná, que tomou Doril e depois sumiiiiiiiiiiiiu!!!!!!!!!!. Se me recordo bem foi na compra de armas durante sua gestão.
Os deputados estaduais indiciados na Operação Taturana com o desvio em torno de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
Téo Vilela indiciado na Operação Guatamo com a PEQUENA propina de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), ninharia!!!!!.
Os prefeitos GABIRUS indiciados no desvio de apenas R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) da merenda escolar, deixando as CRIANÇAS com FOME!!!!!!!. É difícil raciocinar com um buraco no meio da barriga ou como falam saco vazio não pára em pé.
Se isso realmente for verdade, quanto representa esse somatório no nosso PIB?? Qual o impacto social disso tudo??
O alagoano que vive atualmente no Rio de Janeiro, Gustavo Castilho, escreveu isso nos comentários dos artigos de Mendonça Neto
"O Estado de Alagoas está em situação falimentar.
Dívidas financeiras imensas, passivos sociais irrecuperáveis, descumprimento sistemático das regras constitucionais e crise moral nos poderes constituídos.
Isso não é Estado de Direito. Isso é anarquia! O que mais falta para decretarem uma intervenção federal? Restam pessoas íntegras? E se restam, o que fazem? Apenas comem brioches?".
O brioche está uma delicia. Mas o milho cozido assado ou cozido, a canjica e a pamonha estarão ainda melhores. É só observar como os milhos vendidos nas ruas estão bonitos. E vamos ver muita fogueira e fumaça nesses dias. Viva é São João!!!!
Mas também já estamos vendo alguns vereadores e suplentes sendo assassinados. O mar de sangue já está acontecendo no meio político.
E há quem diga que com a sentença confusa do escritor erótico, e também ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau que permitiu o retorno dos que nunca foram (deputados indiciados na Operação Taturana) à Assembléia Legislativa provocará manifestações e mais manifestações, como aconteceu em 1997 quando, o então governador Divaldo Suruargy, renunciou o cargo.
Lembram o que aconteceu?
Só lembro de Karl Marx. Se observarmos as entrelinhas das suas idéias percebemos que a sociedade é formada por uma super-estrutura (política, religião e ideologias) sustentada por uma infra-estrutura (a economia e suas formas de produção). Interessante não??
Qual é a nossa forma de produção? Qual a relação dos flanelinhas que pedem esmola? Será que nos chamam de Dr. ou Senhor??? Em outros estados, economicamente e socialmente mais desenvolvido, o tratamento dos flanelinhas é diferente??
Acredito que teremos as mesmas quadrilhas para observar, haja visto que os casos de possíveis desvios de dinheiro público não afetaram de uma hora para outra a nossa economia, como em 1997. Dessa forma, será que a sociedade irá se manifestar realmente? Ou não passaram de gritos e indignações vazias e sem atitude concreta??
A única coisa que pude constatar é que as empresas que vendem artigo de luxo (seja carro, roupa, artigos de decoração, comida, etc e tal) tiveram seus faturamentos um pouco afetado, pois os indiciados nessas operações tiveram, de uma forma ou de outra, seus rendimentos reduzidos. Notem quanta propaganda televisiva do utilitário japonês nos últimos dias. Será que estão buscando outros clientes para manterem o faturamento??
Vamos nos conhecer e nada melhor do que o texto, indicado por uma pessoa muito especial, do grande psiquiatra Jung:
“A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age, a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.”
Da mesma pessoa ganhei um presente no último dia 12 que tinha a seguinte frase:
“CORRUPÇÃO: transforma a pobreza em violência, leis em benefícios aos que estão no poder, cidadãos em marginais. Podemos combater isso tudo com HONESTIDADE. Claro que desde que a pratiquemos”.
Será essa a resposta para tornarmos Alagoas numa estrela Radiosa??
Sabe de uma coisa, sabadão chovendo... 9 da matina e eu aqui. Não estou mais... vou surfar...
Alguns comentários questionam o que podemos fazer para mudar o quadro atual. Boa pergunta. E resposta simples. Mudar os nossos hábitos. Mas a implementação não é tão simples assim. Quem está disposto a mudanças?? Dizem que todos estão propícios a mudanças quando temos a consciência que será para melhor.
Mas o que é melhor para a sociedade? Extinguir o bem bom dos privilégios? Conheço algumas pessoas que vem de outros estados que alegam que nossa terrinha é bom, porque a concorrência no campo de trabalho é fraca. E será que queremos nos tornar competentes no que fazemos realmente ou sabemos que se isso acontecer teremos que nos esforçar mais e ter menos tempo de lazer?? Aonde estão os índios Caetés guerreiros que nada temem??? Será que os europeus conseguiram dominar a tudo e a todos???
“Insanidade é repetir as mesmas ações e esperar resultados diferentes”. Já disseram isso e não compreendemos. Queremos realmente uma Alagoas próspera, VIVA, com oportunidade para os seus filhos serem dignos???
Pois bem, honestamente nunca se fez tanto, será? (Quantas dúvidas tenho, não??)
Vamos recordar alguns fatos:
Ronaldo Lessa indiciado devido as migalhas dos R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais) oriundo do Estado do Paraná, que tomou Doril e depois sumiiiiiiiiiiiiu!!!!!!!!!!. Se me recordo bem foi na compra de armas durante sua gestão.
Os deputados estaduais indiciados na Operação Taturana com o desvio em torno de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
Téo Vilela indiciado na Operação Guatamo com a PEQUENA propina de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), ninharia!!!!!.
Os prefeitos GABIRUS indiciados no desvio de apenas R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) da merenda escolar, deixando as CRIANÇAS com FOME!!!!!!!. É difícil raciocinar com um buraco no meio da barriga ou como falam saco vazio não pára em pé.
Se isso realmente for verdade, quanto representa esse somatório no nosso PIB?? Qual o impacto social disso tudo??
O alagoano que vive atualmente no Rio de Janeiro, Gustavo Castilho, escreveu isso nos comentários dos artigos de Mendonça Neto
"O Estado de Alagoas está em situação falimentar.
Dívidas financeiras imensas, passivos sociais irrecuperáveis, descumprimento sistemático das regras constitucionais e crise moral nos poderes constituídos.
Isso não é Estado de Direito. Isso é anarquia! O que mais falta para decretarem uma intervenção federal? Restam pessoas íntegras? E se restam, o que fazem? Apenas comem brioches?".
O brioche está uma delicia. Mas o milho cozido assado ou cozido, a canjica e a pamonha estarão ainda melhores. É só observar como os milhos vendidos nas ruas estão bonitos. E vamos ver muita fogueira e fumaça nesses dias. Viva é São João!!!!
Mas também já estamos vendo alguns vereadores e suplentes sendo assassinados. O mar de sangue já está acontecendo no meio político.
E há quem diga que com a sentença confusa do escritor erótico, e também ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau que permitiu o retorno dos que nunca foram (deputados indiciados na Operação Taturana) à Assembléia Legislativa provocará manifestações e mais manifestações, como aconteceu em 1997 quando, o então governador Divaldo Suruargy, renunciou o cargo.
Lembram o que aconteceu?
Só lembro de Karl Marx. Se observarmos as entrelinhas das suas idéias percebemos que a sociedade é formada por uma super-estrutura (política, religião e ideologias) sustentada por uma infra-estrutura (a economia e suas formas de produção). Interessante não??
Qual é a nossa forma de produção? Qual a relação dos flanelinhas que pedem esmola? Será que nos chamam de Dr. ou Senhor??? Em outros estados, economicamente e socialmente mais desenvolvido, o tratamento dos flanelinhas é diferente??
Acredito que teremos as mesmas quadrilhas para observar, haja visto que os casos de possíveis desvios de dinheiro público não afetaram de uma hora para outra a nossa economia, como em 1997. Dessa forma, será que a sociedade irá se manifestar realmente? Ou não passaram de gritos e indignações vazias e sem atitude concreta??
A única coisa que pude constatar é que as empresas que vendem artigo de luxo (seja carro, roupa, artigos de decoração, comida, etc e tal) tiveram seus faturamentos um pouco afetado, pois os indiciados nessas operações tiveram, de uma forma ou de outra, seus rendimentos reduzidos. Notem quanta propaganda televisiva do utilitário japonês nos últimos dias. Será que estão buscando outros clientes para manterem o faturamento??
Vamos nos conhecer e nada melhor do que o texto, indicado por uma pessoa muito especial, do grande psiquiatra Jung:
“A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age, a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.”
Da mesma pessoa ganhei um presente no último dia 12 que tinha a seguinte frase:
“CORRUPÇÃO: transforma a pobreza em violência, leis em benefícios aos que estão no poder, cidadãos em marginais. Podemos combater isso tudo com HONESTIDADE. Claro que desde que a pratiquemos”.
Será essa a resposta para tornarmos Alagoas numa estrela Radiosa??
Sabe de uma coisa, sabadão chovendo... 9 da matina e eu aqui. Não estou mais... vou surfar...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Convite de São João
Pessoal São João chegou, a qual quadrilha você vai assistir??
Pois bem, apesar de não ser fanático por essas festas, esse ano vou conhecer um pouco mais da nossa cultura.
No último texto, tivemos alguns comentários explicando como a nossa cultura reflete no estado que a Estrela Radiosa se encontra.
Concordo plenamente.
Como os índios Caetés (eram canibais), os portugueses, holandeses, os senhores feudais, os senhores donos de usinas, africanos, Zumbi, Calabar, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Nilze da Silveira, Pontes de Miranda, Zagalo, Djavan interferem no nosso dia-a-dia??
O livro “A cabeça do brasileiro” explica que a escolaridade do Brasil é uma das piores do mundo. Quando tomamos a Europa, Portugal tem uma das escolaridades mais baixas. Quando tomamos as Américas, isso se aplica ao Brasil. Não é por acaso. Tal pai, tal filho. A cultura portuguesa que não valoriza a escolarização foi trazida para o Brasil. Por isso somos assim.
Há alguns dias o jornalista Mendonça Neto escreveu:
“(...) Nem me aborreço com a indiferença da juventude, que faz suas faculdadezinhas fajutas querendo ser doutor, sem saber ler nem escrever a pobre língua portuguesa. " amo-te , ó rude e doloroso idioma".
O que me causa muita raiva é a burrice. E é coisa de gente muito burra, não aproveitar a vida, viver com paixão, rir de si mesma, deixar que em seu coração a criança que já foi, faça o adulto recordar-se da pureza extinta. (...)”
Procuro entender como os deputados estaduais indiciados na Operação Taturana receberam o aval do Supremo Tribunal Federal para retomarem seus postos na Assembléia Legislativa (será a volta dos que nunca foram??). Algum estudante de direito pode me explicar? Sapucaia errou ao sentenciar o afastamento desses deputados? Fugiu da sua jurisprudência?
Espero que estudante consiga, pois se não aparecer nenhum, o caso é pior que Mendonça Neto escreveu sobre a nossa juventude. E nela eu me incluo. Será que poderia ter aproveitado mais os estudos?? Ainda posso??? Claro que posso, então vamos lá...
Pois bem, vamos nos concentrar na nossa cultura. O problema é a cultura do jeitinho, que é a quebra de uma regra. Toleramos essa quebra, não somos rígidos em relação ao cumprimento da regra informal. Então, estamos a um passo da corrupção. Segundo o livro “A cabeça do brasileiro” dar um jeitinho é visto como um comportamento sempre certo na opinião de 9%, e certo na maioria das vezes para 41%. Somente 18% dos entrevistados consideram o jeitinho sempre errado...
Será que Sapucaia tentou dá um jeitinho para afastar esses deputados indiciados?? Caramba, se foi, imaginem como somos influenciados pelos nossos ancestrais. Eu faria a mesmíssima coisa. Será que sobre tanta pressão e ameaças eu teria a dignidade e hombridade para tal decisão? Falar é tão fácil...
Mas vamos lá. A sociedade inteira dá os seus jeitinhos. Basicamente, o que acontece é que a gente fica muito indignado com os políticos, mas o livro manda um recado diferente. Ele está dizendo que não são os políticos a fonte do problema. É a sociedade. A sociedade é assim. Costuma-se dizer: “Ah, ele foi eleito e se transformou”. Errado. O político, quando foi eleito, não mudou. Ele foi criado naquela sociedade e é produto dela. Qualquer um que fosse eleito faria a mesma coisa. Esse é que é o problema. Não adianta você esperar as mudanças mudando o governo. O governo é resultado da sociedade.
Precisamos estudar e entender como os costumes dos nossos ancestrais permeiam o nosso dia-a-dia. Não digo apenas estudar a cultura folclórica (dança, credos, gastronomia), mas as relações sociais. Apreender como isso interfere na gente. Se acharmos que estamos indo bem assim, vamos continuar.
Não acho que estamos indo bem assim. O Estado de Alagoas quebrou e não há alternativa à vista para reverter a situação de falência em que se encontra a economia alagoana. Esta é a conclusão de um estudo recente elaborado pela Secretaria da Fazenda sobre a dívida do Estado junto ao Governo Federal, que já passa de R$ 7,7 bilhões.
Sexta-feira da semana passada no Bom dia Brasil (jornal matinal da Globo) saiu uma reportagem do nosso estado. O apresentador iniciou “O Brasil cheio de contrastes: local de belezas naturais exuberantes como: o cannion do Velho Chico, delta do São Francisco, praias e mais praias. Estamos falando de Alagoas, um Estado que ocorrem em média 200 homicídios por mês” e por ai foi....
Será que estamos bem?
Boa parte de nossos políticos estão envolvidos, ou estão indiciados, em algum tipo de crime. Quer dizer são ou podem ser marginais. Estão fora da lei.
E a história vai se repetindo. Alguns alagoanos vão se envolvendo com o status quo para se manterem vivos, ou ao menos sobreviverem. Outros, como alguns dos nossos ilustres antecedentes, vão em busca de oportunidades em outros Estados e países.
Dessa forma, a Estrela Radiosa fica apenas na vontade de ser radiosa. Segundo o livro mencionado anteriormente, 60% dos brasileiros acreditam que todo o destino, ou grande parte dele, está nas mãos de Deus, e os homens não controlam nada, ou são capazes de mudá-lo muito pouco... Acham que tudo está nas mãos de Deus – ou quase tudo... E só 14% entendem que não há destino. Isso eu considero um quadro de idade média, que justifica muitas coisas. “Ah, estava no lugar errado, na hora errada. É o destino. Deus quis...”. Quase todas as religiões pregam que Deus no deu o livre arbítrio. Quer dizer, criamos o nosso destino.
Vamos discutir um pouco sobre a nossa cultura, lembrando que os políticos são reflexos da sociedade..
Esse mês, estarei vendo algumas quadrilhas. Espero que somente as quadrilhas de forró. Sim,
não estou falando desse forró elétrico não hehehe.
Pois bem, apesar de não ser fanático por essas festas, esse ano vou conhecer um pouco mais da nossa cultura.
No último texto, tivemos alguns comentários explicando como a nossa cultura reflete no estado que a Estrela Radiosa se encontra.
Concordo plenamente.
Como os índios Caetés (eram canibais), os portugueses, holandeses, os senhores feudais, os senhores donos de usinas, africanos, Zumbi, Calabar, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Nilze da Silveira, Pontes de Miranda, Zagalo, Djavan interferem no nosso dia-a-dia??
O livro “A cabeça do brasileiro” explica que a escolaridade do Brasil é uma das piores do mundo. Quando tomamos a Europa, Portugal tem uma das escolaridades mais baixas. Quando tomamos as Américas, isso se aplica ao Brasil. Não é por acaso. Tal pai, tal filho. A cultura portuguesa que não valoriza a escolarização foi trazida para o Brasil. Por isso somos assim.
Há alguns dias o jornalista Mendonça Neto escreveu:
“(...) Nem me aborreço com a indiferença da juventude, que faz suas faculdadezinhas fajutas querendo ser doutor, sem saber ler nem escrever a pobre língua portuguesa. " amo-te , ó rude e doloroso idioma".
O que me causa muita raiva é a burrice. E é coisa de gente muito burra, não aproveitar a vida, viver com paixão, rir de si mesma, deixar que em seu coração a criança que já foi, faça o adulto recordar-se da pureza extinta. (...)”
Procuro entender como os deputados estaduais indiciados na Operação Taturana receberam o aval do Supremo Tribunal Federal para retomarem seus postos na Assembléia Legislativa (será a volta dos que nunca foram??). Algum estudante de direito pode me explicar? Sapucaia errou ao sentenciar o afastamento desses deputados? Fugiu da sua jurisprudência?
Espero que estudante consiga, pois se não aparecer nenhum, o caso é pior que Mendonça Neto escreveu sobre a nossa juventude. E nela eu me incluo. Será que poderia ter aproveitado mais os estudos?? Ainda posso??? Claro que posso, então vamos lá...
Pois bem, vamos nos concentrar na nossa cultura. O problema é a cultura do jeitinho, que é a quebra de uma regra. Toleramos essa quebra, não somos rígidos em relação ao cumprimento da regra informal. Então, estamos a um passo da corrupção. Segundo o livro “A cabeça do brasileiro” dar um jeitinho é visto como um comportamento sempre certo na opinião de 9%, e certo na maioria das vezes para 41%. Somente 18% dos entrevistados consideram o jeitinho sempre errado...
Será que Sapucaia tentou dá um jeitinho para afastar esses deputados indiciados?? Caramba, se foi, imaginem como somos influenciados pelos nossos ancestrais. Eu faria a mesmíssima coisa. Será que sobre tanta pressão e ameaças eu teria a dignidade e hombridade para tal decisão? Falar é tão fácil...
Mas vamos lá. A sociedade inteira dá os seus jeitinhos. Basicamente, o que acontece é que a gente fica muito indignado com os políticos, mas o livro manda um recado diferente. Ele está dizendo que não são os políticos a fonte do problema. É a sociedade. A sociedade é assim. Costuma-se dizer: “Ah, ele foi eleito e se transformou”. Errado. O político, quando foi eleito, não mudou. Ele foi criado naquela sociedade e é produto dela. Qualquer um que fosse eleito faria a mesma coisa. Esse é que é o problema. Não adianta você esperar as mudanças mudando o governo. O governo é resultado da sociedade.
Precisamos estudar e entender como os costumes dos nossos ancestrais permeiam o nosso dia-a-dia. Não digo apenas estudar a cultura folclórica (dança, credos, gastronomia), mas as relações sociais. Apreender como isso interfere na gente. Se acharmos que estamos indo bem assim, vamos continuar.
Não acho que estamos indo bem assim. O Estado de Alagoas quebrou e não há alternativa à vista para reverter a situação de falência em que se encontra a economia alagoana. Esta é a conclusão de um estudo recente elaborado pela Secretaria da Fazenda sobre a dívida do Estado junto ao Governo Federal, que já passa de R$ 7,7 bilhões.
Sexta-feira da semana passada no Bom dia Brasil (jornal matinal da Globo) saiu uma reportagem do nosso estado. O apresentador iniciou “O Brasil cheio de contrastes: local de belezas naturais exuberantes como: o cannion do Velho Chico, delta do São Francisco, praias e mais praias. Estamos falando de Alagoas, um Estado que ocorrem em média 200 homicídios por mês” e por ai foi....
Será que estamos bem?
Boa parte de nossos políticos estão envolvidos, ou estão indiciados, em algum tipo de crime. Quer dizer são ou podem ser marginais. Estão fora da lei.
E a história vai se repetindo. Alguns alagoanos vão se envolvendo com o status quo para se manterem vivos, ou ao menos sobreviverem. Outros, como alguns dos nossos ilustres antecedentes, vão em busca de oportunidades em outros Estados e países.
Dessa forma, a Estrela Radiosa fica apenas na vontade de ser radiosa. Segundo o livro mencionado anteriormente, 60% dos brasileiros acreditam que todo o destino, ou grande parte dele, está nas mãos de Deus, e os homens não controlam nada, ou são capazes de mudá-lo muito pouco... Acham que tudo está nas mãos de Deus – ou quase tudo... E só 14% entendem que não há destino. Isso eu considero um quadro de idade média, que justifica muitas coisas. “Ah, estava no lugar errado, na hora errada. É o destino. Deus quis...”. Quase todas as religiões pregam que Deus no deu o livre arbítrio. Quer dizer, criamos o nosso destino.
Vamos discutir um pouco sobre a nossa cultura, lembrando que os políticos são reflexos da sociedade..
Esse mês, estarei vendo algumas quadrilhas. Espero que somente as quadrilhas de forró. Sim,
não estou falando desse forró elétrico não hehehe.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Alagoas Estrela Radiosa???
E aê galera, volto a escrever...
Que título indignado, não? Pois bem, trecho da letra do hino da terra dos índios Caetés. Isso mesmo, Alagoas!!! Se prestarmos atenção ao nosso hino, retrata apenas um ideal muito distante.... mas muito distante mesmo.
Estamos diante de um espetáculo triste e vergonhoso na história recente de Alagoas. E o que acontece conosco, os que comem, dormem, têm acesso à transporte, à saúde e à internet (informação)? Partimos para abstrações, para os gritos de alerta, para um desejo vazio de reforma/revolução que ninguém sabe qual é.
Aceitamos calado (falar por falar e não fazer nada é ficar calado) as denúncias de desvio de quase R$ 300 milhões da Assembléia e mais não sei quanto do governo estadual passado.
Ficamos alegre com a decisão do Sapucaia em afastar alguns membros da Assembléia. Mas não nos atentamos que o novo desembargador que poderá ocupar a vaga de Sapucaia pode ser algum juiz que tenha laços de amizades promíscuos com alguns políticos denunciados pela eficiente Polícia Federal. Tão pouco nos chocamos com ex-presidente afastado ter participado do encontro dos Presidentes das Assembléia Legislativa do Nordeste, realizado no CE semana passada, no qual contou apenas e unicamente com os ATUAIS PRESIDENTES do Legislativo de cada estado do nordeste.
Apesar de não ter ocorrido, até agora, assaltos aos bancos em nosso estado, já começaram alguns assassinatos políticos.
Como assim?? Não sei, só sei que é assim...
A ausência de utopias disponíveis cria uma falta de esperança, uma confusão mental nos povos, cria uma fome de sentido que só o totalitarismo ou a religião podem satisfazer, como por exemplo a Alemanha de Hittler, o próprio Brasil de Vargas e até mesmo as grandes mercearias que vendem terreno no céu. Dessa forma, escolhemos os candidatos pela sua imagem de bonzinho e santo protetor. Seus marqueteiros, que estudaram como descobrir e suprir as necessidades da sociedade, descobrem que é mais fácil usar o emocional da população ¿alienada¿ para conseguir eleger os seus patrões. E assim, o binômio esquerda X direita dá espaço às lutas sacras: de um lado o bem e do outro o mal; as quais vão cumprindo uma determinação histórica, um desejo inconsciente de clareza contra a labiríntica complexidade da vida social.
Já na nossa realidade de coloniais “exilados em sua própria terra” com pensamento progressista ou reformista, isso nem é mais usado. Estamos tão defasados que vivemos nem como coloniais, mas sim como camponeses, aceitando mandos e desmandos dos senhores feudais.
Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. São raros que se indignam com tanta miséria, degradação moral e social nas nossas ruas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.
Agora pergunto, e até mesmo vocês podem se perguntar. Quem é esse playboy metido a merda que não sabe nada além do que se passa em frente aos seus olhos; que falta muita vivência do dia-a-dia e que, principalmente, pouco faz além de escrever e falar?
Boa, pergunta. Mas não sei responder. Só sei que não podemos continuar apavorados, sempre à espera que as coisas melhorem por um milagre qualquer, ou com trabalhos íntegros, mas isolados, como de Sapucaia ou Barenco. Continuamos a achar que a solução seria resolver isso ou aquilo no mundo da própria miséria. Não. Nosso drama não é ausência de solução. É que não entendemos o problema.
Que título indignado, não? Pois bem, trecho da letra do hino da terra dos índios Caetés. Isso mesmo, Alagoas!!! Se prestarmos atenção ao nosso hino, retrata apenas um ideal muito distante.... mas muito distante mesmo.
Estamos diante de um espetáculo triste e vergonhoso na história recente de Alagoas. E o que acontece conosco, os que comem, dormem, têm acesso à transporte, à saúde e à internet (informação)? Partimos para abstrações, para os gritos de alerta, para um desejo vazio de reforma/revolução que ninguém sabe qual é.
Aceitamos calado (falar por falar e não fazer nada é ficar calado) as denúncias de desvio de quase R$ 300 milhões da Assembléia e mais não sei quanto do governo estadual passado.
Ficamos alegre com a decisão do Sapucaia em afastar alguns membros da Assembléia. Mas não nos atentamos que o novo desembargador que poderá ocupar a vaga de Sapucaia pode ser algum juiz que tenha laços de amizades promíscuos com alguns políticos denunciados pela eficiente Polícia Federal. Tão pouco nos chocamos com ex-presidente afastado ter participado do encontro dos Presidentes das Assembléia Legislativa do Nordeste, realizado no CE semana passada, no qual contou apenas e unicamente com os ATUAIS PRESIDENTES do Legislativo de cada estado do nordeste.
Apesar de não ter ocorrido, até agora, assaltos aos bancos em nosso estado, já começaram alguns assassinatos políticos.
Como assim?? Não sei, só sei que é assim...
A ausência de utopias disponíveis cria uma falta de esperança, uma confusão mental nos povos, cria uma fome de sentido que só o totalitarismo ou a religião podem satisfazer, como por exemplo a Alemanha de Hittler, o próprio Brasil de Vargas e até mesmo as grandes mercearias que vendem terreno no céu. Dessa forma, escolhemos os candidatos pela sua imagem de bonzinho e santo protetor. Seus marqueteiros, que estudaram como descobrir e suprir as necessidades da sociedade, descobrem que é mais fácil usar o emocional da população ¿alienada¿ para conseguir eleger os seus patrões. E assim, o binômio esquerda X direita dá espaço às lutas sacras: de um lado o bem e do outro o mal; as quais vão cumprindo uma determinação histórica, um desejo inconsciente de clareza contra a labiríntica complexidade da vida social.
Já na nossa realidade de coloniais “exilados em sua própria terra” com pensamento progressista ou reformista, isso nem é mais usado. Estamos tão defasados que vivemos nem como coloniais, mas sim como camponeses, aceitando mandos e desmandos dos senhores feudais.
Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. São raros que se indignam com tanta miséria, degradação moral e social nas nossas ruas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.
Agora pergunto, e até mesmo vocês podem se perguntar. Quem é esse playboy metido a merda que não sabe nada além do que se passa em frente aos seus olhos; que falta muita vivência do dia-a-dia e que, principalmente, pouco faz além de escrever e falar?
Boa, pergunta. Mas não sei responder. Só sei que não podemos continuar apavorados, sempre à espera que as coisas melhorem por um milagre qualquer, ou com trabalhos íntegros, mas isolados, como de Sapucaia ou Barenco. Continuamos a achar que a solução seria resolver isso ou aquilo no mundo da própria miséria. Não. Nosso drama não é ausência de solução. É que não entendemos o problema.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Dia do Trabalhador???
E aê galera,
Quantos comentários, depois só dizem que leram. O interessante seria a discussão, mas tudo bem, nâo é Karlinha, Punkão, Nic, Sandney, Gemeos, TIaguinho.. tudo bem...
heheheh
Bom to sem muito tempo p escrever, mas irei terminar a o andamento do último texto. Tem um trema que falta ser posto para fechar o círculo.
Mas enquanto não escrevo, segue um escrito nos altos dos meus 22 anos. Muita coisa se passou, mas a roda rigou e voltei ao firmamento.
Quatro anos se passaram e, ainda, as coisas se repetem e parece ficar estático. O que será de mim e de ti?
___________
Sobreviver
O que vou falar agora será um desabafo sobre essa sociedade que não me deixa viver da maneira que quero, por causa do dinheiro necessário para sobreviver.
Isso é complicado. Nunca fui de fugir do trabalho. Sempre procurei ajudar meu pai, de uma maneira ou de outra (é bem verdade que tinha vezes que não queria ajudá-lo para ir me divertir). Antes de entrar na faculdade particular meus pais disseram que não arcariam o ônus, pois tinham pago colégio dito de qualidade (colégios em Alagoas não fazem um cidadão pensante, e sim mais um alienado) para eu entrar na universidade federal etc etc.
Contrariando a vontade de meus pais, resolvi prestar vestibular de uma faculdade particular na qual passei. Então para pagá-la, sempre procurei trabalhar. Fui revisor de material de um cursinho preparatório para vestibular, gerente de restaurante, chegando a trabalhar várias vezes sobre horários desumanos para conseguir honrar os deveres com a faculdade. Antes trabalhar 15 horas em um dia era uma idéia bastante abstrata para mim, no entanto quando menos percebi tornou-se realidade constante. Estava eu chegando 08 horas da matina e saindo 11 horas da noite. Mas tudo bem, apenas ficava cansado, não chegava a ficar estressado. Então, resolvi sair em busca de horários melhores de trabalho, como também de uma melhor remuneração. Terminei abrindo uma agência de publicidade com a turma da faculdade. No começo aquela expectativa, muito trabalho, contratos fechados. Mas como o mercado já tinha grandes agências, sempre batíamos de frente com estas e para não perder cliente baixávamos o preço. Chegava no final do mês quase sem dinheiro. Passaram mais alguns meses e achei melhor sair, pois precisava de dinheiro certo no final de cada mês para pagar a faculdade.
O tempo passa, continuei em busca de outro emprego e só fico fazendo “uns bicos”, até que me aparece uma excelente oportunidade de ganhar um bom dinheiro montando uma apresentação de um projeto para uma antiguíssima imobiliária. Fiquei bastante instigado para tal trabalho. Contudo o tempo foi passando, e os donos da imobiliária sem saber o que realmente queriam. Pediam algo, e imediatamente fazia. Mas quando mostrava... ahhh eles já tinham mudado de idéia. E fazia novamente, refazia, birefazia, trirefazia.... e por ai vai.... Sem contar que teve um dia que disseram “Pronto é isso que eu quero”. Cheguei em casa todo feliz. No outro dia lá vou eu com um sorriso enorme no rosto com o cd gravado para entregar o trabalho e o que me dizem? “Temos que fazer algumas modificações”... hehehe puts... paciência. Fui e refiz tudo o que eles pediram.
Fiquei tão preso a esse projeto que minha vida começou a não mais existir. Não tinha mais informações sobre a guerra, me falavam que o Beira-Mar estava em Maceió, e como não tinha acesso a nenhum meio de comunicação achava que estavam querendo tirar uma onda com minha cara. O que Beira-Mar estaria fazendo aqui? Mapeando Alagoas para expandir seus negócios ou apenas tirando umas férias? Sei lá, não tinha muito tempo para pensar nisso. Também, durante este tempo, perdi uma grana boa e a minha carteira de motorista, que depois a achei (somente a carteira, espero que o dinheiro tenha ido para o bolso de quem estivesse precisando). Realmente não sabia o que andava fazendo da minha vida em si, apenas queria finalizar o trabalho.
Foi no mínimo interessante chegar a tal ponto de abnegação da minha vida, e ao mesmo tempo chato, estressante, incomodo, angustiante, resumindo: péssimo. Todo mundo notava que estava estranho. E por causa de que? Da bendita mazela que corrompe a sociedade: o dinheiro.
Com isso percebi na pele o porquê de meus pais e alguns pais de amigos meus, as vezes, ficarem tão estressado. Se um dia seu pai chegar e tiver doido varrido deixe-o quieto, fazendo o que quiser... Por exemplo, não achem que sou doido, mas teve um dia, antes do show de 01 ano do Zine Fúria (acho que era isso), que quando cheguei em casa e vi que não tinha ninguém comecei a gritar feito um louco para desabafar... queria namorar, mergulhar, divertir, tomar todas com meus amigos, relaxar...
Bom é isso... Sei que o que irei falar é um bordão, mas vou lá... Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.
Como regra geral, as pessoas buscam individualmente uma saída qualquer para a escravidão, a miséria, a loucura em que o século XX se enfiou, e o XXI vai dando continuidade. Em sua luta individual pela libertação, o homem se esquece do fato de haver mais gente em igual situação, e até piores, e que a ação coletiva tenderia a ser muito mais eficaz que a busca solitária. Vamos criando cada vez mais o distanciamento de nossa essência, nos tornando mais sabeis, na ignorância de nosso ser.
Sofremos com a existência porque não existimos - pois para existir plenamente é preciso ter sua essência coisa que está nos faltando - simplesmente sobrevivemos. Eu agora, por exemplo, estou procurando o que me falta para viver livre.
Bom, não queria fazer deste espaço de um diário, só foi um desabafo. Para finalizar, gostaria de dizer que somos como um pássaro. E um pássaro não consegue voar antes que suas asas se encham de penas, e as nossas ainda não têm penas suficientes para podermos nos libertar deste sistema que nos sufoca cada vez mais. Espero que vocês entendam o que quis passar, não quero que os trabalhadores deixem de trabalhar por causa do estresse, apenas quero dizer que acredito que a humanidade em geral ainda não está preparada para VIVER, pois ainda existe muita inveja, muito egoísmo, muita ambição e muita falta de sinceridade. O dinheiro nos faz escravos dele e enquanto não conseguirmos nos conscientizar que o dinheiro não é tudo, e que existe muita coisa mais valiosa que esse simples pedaço de papel, seremos apenas um pássaro com asas, mas sem pena.
Mas, por favor, quem tiver um trabalho legal para me oferecer, e que não deixe nenhum cidadão normal muito estressado e louco estou as ordens.... hehehehehehehhehehehheehehehhehehehehehehe
Farows e intrex
Quantos comentários, depois só dizem que leram. O interessante seria a discussão, mas tudo bem, nâo é Karlinha, Punkão, Nic, Sandney, Gemeos, TIaguinho.. tudo bem...
heheheh
Bom to sem muito tempo p escrever, mas irei terminar a o andamento do último texto. Tem um trema que falta ser posto para fechar o círculo.
Mas enquanto não escrevo, segue um escrito nos altos dos meus 22 anos. Muita coisa se passou, mas a roda rigou e voltei ao firmamento.
Quatro anos se passaram e, ainda, as coisas se repetem e parece ficar estático. O que será de mim e de ti?
___________
Sobreviver
O que vou falar agora será um desabafo sobre essa sociedade que não me deixa viver da maneira que quero, por causa do dinheiro necessário para sobreviver.
Isso é complicado. Nunca fui de fugir do trabalho. Sempre procurei ajudar meu pai, de uma maneira ou de outra (é bem verdade que tinha vezes que não queria ajudá-lo para ir me divertir). Antes de entrar na faculdade particular meus pais disseram que não arcariam o ônus, pois tinham pago colégio dito de qualidade (colégios em Alagoas não fazem um cidadão pensante, e sim mais um alienado) para eu entrar na universidade federal etc etc.
Contrariando a vontade de meus pais, resolvi prestar vestibular de uma faculdade particular na qual passei. Então para pagá-la, sempre procurei trabalhar. Fui revisor de material de um cursinho preparatório para vestibular, gerente de restaurante, chegando a trabalhar várias vezes sobre horários desumanos para conseguir honrar os deveres com a faculdade. Antes trabalhar 15 horas em um dia era uma idéia bastante abstrata para mim, no entanto quando menos percebi tornou-se realidade constante. Estava eu chegando 08 horas da matina e saindo 11 horas da noite. Mas tudo bem, apenas ficava cansado, não chegava a ficar estressado. Então, resolvi sair em busca de horários melhores de trabalho, como também de uma melhor remuneração. Terminei abrindo uma agência de publicidade com a turma da faculdade. No começo aquela expectativa, muito trabalho, contratos fechados. Mas como o mercado já tinha grandes agências, sempre batíamos de frente com estas e para não perder cliente baixávamos o preço. Chegava no final do mês quase sem dinheiro. Passaram mais alguns meses e achei melhor sair, pois precisava de dinheiro certo no final de cada mês para pagar a faculdade.
O tempo passa, continuei em busca de outro emprego e só fico fazendo “uns bicos”, até que me aparece uma excelente oportunidade de ganhar um bom dinheiro montando uma apresentação de um projeto para uma antiguíssima imobiliária. Fiquei bastante instigado para tal trabalho. Contudo o tempo foi passando, e os donos da imobiliária sem saber o que realmente queriam. Pediam algo, e imediatamente fazia. Mas quando mostrava... ahhh eles já tinham mudado de idéia. E fazia novamente, refazia, birefazia, trirefazia.... e por ai vai.... Sem contar que teve um dia que disseram “Pronto é isso que eu quero”. Cheguei em casa todo feliz. No outro dia lá vou eu com um sorriso enorme no rosto com o cd gravado para entregar o trabalho e o que me dizem? “Temos que fazer algumas modificações”... hehehe puts... paciência. Fui e refiz tudo o que eles pediram.
Fiquei tão preso a esse projeto que minha vida começou a não mais existir. Não tinha mais informações sobre a guerra, me falavam que o Beira-Mar estava em Maceió, e como não tinha acesso a nenhum meio de comunicação achava que estavam querendo tirar uma onda com minha cara. O que Beira-Mar estaria fazendo aqui? Mapeando Alagoas para expandir seus negócios ou apenas tirando umas férias? Sei lá, não tinha muito tempo para pensar nisso. Também, durante este tempo, perdi uma grana boa e a minha carteira de motorista, que depois a achei (somente a carteira, espero que o dinheiro tenha ido para o bolso de quem estivesse precisando). Realmente não sabia o que andava fazendo da minha vida em si, apenas queria finalizar o trabalho.
Foi no mínimo interessante chegar a tal ponto de abnegação da minha vida, e ao mesmo tempo chato, estressante, incomodo, angustiante, resumindo: péssimo. Todo mundo notava que estava estranho. E por causa de que? Da bendita mazela que corrompe a sociedade: o dinheiro.
Com isso percebi na pele o porquê de meus pais e alguns pais de amigos meus, as vezes, ficarem tão estressado. Se um dia seu pai chegar e tiver doido varrido deixe-o quieto, fazendo o que quiser... Por exemplo, não achem que sou doido, mas teve um dia, antes do show de 01 ano do Zine Fúria (acho que era isso), que quando cheguei em casa e vi que não tinha ninguém comecei a gritar feito um louco para desabafar... queria namorar, mergulhar, divertir, tomar todas com meus amigos, relaxar...
Bom é isso... Sei que o que irei falar é um bordão, mas vou lá... Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.
Como regra geral, as pessoas buscam individualmente uma saída qualquer para a escravidão, a miséria, a loucura em que o século XX se enfiou, e o XXI vai dando continuidade. Em sua luta individual pela libertação, o homem se esquece do fato de haver mais gente em igual situação, e até piores, e que a ação coletiva tenderia a ser muito mais eficaz que a busca solitária. Vamos criando cada vez mais o distanciamento de nossa essência, nos tornando mais sabeis, na ignorância de nosso ser.
Sofremos com a existência porque não existimos - pois para existir plenamente é preciso ter sua essência coisa que está nos faltando - simplesmente sobrevivemos. Eu agora, por exemplo, estou procurando o que me falta para viver livre.
Bom, não queria fazer deste espaço de um diário, só foi um desabafo. Para finalizar, gostaria de dizer que somos como um pássaro. E um pássaro não consegue voar antes que suas asas se encham de penas, e as nossas ainda não têm penas suficientes para podermos nos libertar deste sistema que nos sufoca cada vez mais. Espero que vocês entendam o que quis passar, não quero que os trabalhadores deixem de trabalhar por causa do estresse, apenas quero dizer que acredito que a humanidade em geral ainda não está preparada para VIVER, pois ainda existe muita inveja, muito egoísmo, muita ambição e muita falta de sinceridade. O dinheiro nos faz escravos dele e enquanto não conseguirmos nos conscientizar que o dinheiro não é tudo, e que existe muita coisa mais valiosa que esse simples pedaço de papel, seremos apenas um pássaro com asas, mas sem pena.
Mas, por favor, quem tiver um trabalho legal para me oferecer, e que não deixe nenhum cidadão normal muito estressado e louco estou as ordens.... hehehehehehehhehehehheehehehhehehehehehehe
Farows e intrex
sábado, 5 de abril de 2008
40 anos após Martin Luther King
Mais do que a certeza de que tivemos caminhos errados na vida e de que ainda poderemos ter muitos, enquanto continuarmos a viver, devemos aprender a saborear o êxtase do erro, que não só é contemplado pelo pilar da tentativa quanto pela essência de mesmo sendo um erro, ter sido o resultado de uma escolha só nossa, sobre nossa própria vida. E esses erros sobre erros, escolhas sobre escolhas, tentativas sobre tentativas, são intransferíveis. Só podemos saber se erramos ou acertamos simplesmente vivendo com entusiasmo e coragem.
Foi assim que o líder negro, Martim Luther King Jr, viveu. Enquanto estava preso, King escreveu um dos textos mais poderosos da história. Se você quer viver em paz com sua consciência, se quer ser um defensor da justiça, se quer fazer o bem e melhorar o mundo, leia a Carta da Prisão de Birmingham – a receita de tudo isso está lá, expressa com clareza e sem margem para dúvidas. Veja só:
“Há dois tipos de lei: as justas e as injustas”, escreveu ele. “É nossa obrigação não apenas legal, mas moral, de desobedecer leis injustas”.
Ele não defendia o mero desrespeito à lei, cometido de maneira, envergonhada por debaixo do pano. “Isso levaria a bagunça. Aquele que quebra a lei deve fazê-lo abertamente, amorosamente, e disposto a aceitar a pena”. Ou seja, ele prega a desobediência civil, mas desde que se aceitem as conseqüências dos seus atos, como ele mesmo estava fazendo naquela prisão escura e suja. E desde que seja sem violência, sem machucar ninguém, sem destruir nada – é assim que se estabelece a superioridade moral de quem está com a razão.
King vai além. “Estou quase chegando à lamentável conclusão de que o maior obstáculo do negro no seu avanço em direção a liberdade não é a Ku Klux Klan, mas o ser humano moderado, que dá mais importância à ordem do que à justiça”.
Mais nociva que a minoria de homens maus que criam a injustiça é a maioria de homens “bons” que não fazem nada para denunciá-la. Mais perigoso que os bandidos e mentirosos psicopatas, os destruidores da natureza, os ladrões, os malandros, é o homem de bem que assiste a tudo isso adormecido e ri de quem tenta mudar alguma coisa.
Será que não podemos aprender nada com ele?
Foi assim que o líder negro, Martim Luther King Jr, viveu. Enquanto estava preso, King escreveu um dos textos mais poderosos da história. Se você quer viver em paz com sua consciência, se quer ser um defensor da justiça, se quer fazer o bem e melhorar o mundo, leia a Carta da Prisão de Birmingham – a receita de tudo isso está lá, expressa com clareza e sem margem para dúvidas. Veja só:
“Há dois tipos de lei: as justas e as injustas”, escreveu ele. “É nossa obrigação não apenas legal, mas moral, de desobedecer leis injustas”.
Ele não defendia o mero desrespeito à lei, cometido de maneira, envergonhada por debaixo do pano. “Isso levaria a bagunça. Aquele que quebra a lei deve fazê-lo abertamente, amorosamente, e disposto a aceitar a pena”. Ou seja, ele prega a desobediência civil, mas desde que se aceitem as conseqüências dos seus atos, como ele mesmo estava fazendo naquela prisão escura e suja. E desde que seja sem violência, sem machucar ninguém, sem destruir nada – é assim que se estabelece a superioridade moral de quem está com a razão.
King vai além. “Estou quase chegando à lamentável conclusão de que o maior obstáculo do negro no seu avanço em direção a liberdade não é a Ku Klux Klan, mas o ser humano moderado, que dá mais importância à ordem do que à justiça”.
Mais nociva que a minoria de homens maus que criam a injustiça é a maioria de homens “bons” que não fazem nada para denunciá-la. Mais perigoso que os bandidos e mentirosos psicopatas, os destruidores da natureza, os ladrões, os malandros, é o homem de bem que assiste a tudo isso adormecido e ri de quem tenta mudar alguma coisa.
Será que não podemos aprender nada com ele?
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Uno e Verso ou universo?
E aê galera, resolvi criar um blog para tentar gerar discussão. Vamos vê no que dará.
O nome foi difícil a escolher. Saímos de “cantinho do samuca” para “entifada” até chegar em “amigo imaginário”. Puts, muito... isso o que você está pensando? Mas a idéia não foi minha. Foi uma sessão de brainstorming heheheAs explicações para o nome escolhido depois virão. Vamos lá, febre indo para casa do chapéu, passar um sinal vermelho e receber uma multa. Uma cachoeira perto de mim. Isso mesmo, mas não é linda nem emocionante. Essa cachoeira aborrece qualquer um, porque é a catarro que não pará.
Resolvi publicar uns textos antigos, pois todos eles têm um relacionamento com esse.E o mito fundador, será que vai para casa do chapéu? Vamos refletir...
Estamos aqui, simplesmente existindo, corporificados por meio da matéria. E, de acordo com nossas escolhas e ações, tornamo-nos aquilo que fazemos de nós mesmo. Quantas vezes pensamos não ter escolha? Será que vivemos como se existisse um destino traçado, determinado, sem que tenhamos mérito ou responsabilidade por aquilo que somos? Quantas vezes olhamos para nossa vida e nos sentimos insatisfeitos com o que somos, com o que fizemos de nos mesmos?
Nessas horas é fácil atribuir a responsabilidade pelo que somos e fizemos às contingências, a um destino necessário, a uma forma de vida imposta por um contexto . Mas essa postura pode levar a uma espécie de conformismo, a uma aceitação resignada de nossas insatisfações e indignações, a uma inação, perpetuando um modo de ser que não corresponde às nossas necessidades.
Lembrem que o mito fundador é fator influenciador do nosso destino. Isso mesmo: apenas influenciador. Ele não é determinante. Entendam isso...
Se pensarmos que há uma essência previamente determinada, nada poderemos fazer, exceto atualizá-la, ou seja, viver o que foi traçado por nós por algo ou alguém. Devemos atribuir a nos mesmos a responsabilidade e o mérito por aquilo que fizemos e fazemos de nos, mas não basta querer, desejar.
São nossas escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos. A ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação de prêmios e castigos, porém como o resultado de um processo contínuo de construção de “mim e de ti” heheheheh. Não se trata de uma simples relação de causa e efeito, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz aprendendo, apreendendo e errando. Ou seja, vivendo.
Alguns acham que essa idéia tornar o ser humano egoísta, individualista, sendo permitido fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo. Será que elimina a responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?
Como diria o eterno Raul Seixas, inspirado em Aleisteir Crowley: “Fazes o que tu queres há de ser tudo da lei”.
Vamos encarar por outro prisma. Consideremos o homem responsável pela construção de si mesmo e de toda a humanidade. Devemos mais do que avaliar o impacto de nossas ações sobre o mundo ou o outro, muito mais do que respeitar os costumes morais e leis devemos “assumir as conseqüências” de nossos atos e escolhas.
Não há desculpas, todo agir implica na construção de si mesmo e da humanidade. Assim, a responsabilidade por cada ação é inevitável. Escolhemos como se toda a humanidade escolhesse conosco, como se cada homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve questionar a si próprio: terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus atos? E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a angustia”.
Na realidade, as coisas serão tais como o homem tiver decidido que elas sejam. E isso não implica na inexistência de um contexto, de circunstâncias adversas, de dificuldades existenciais. Não decidimos acerca do que os contextos socioeconômicos fazem conosco, muito menos sobre situações geradas por fenômenos naturais; não escolhemos a situação social em que nascemos, nem a educação que recebemos.
Nossa escolha diz respeito como isso nos afeta e ao que faremos com isso. Mas o que estamos fazendo diante de tanta miséria? Tanto dinheiro mal aplicado?
Conforme Sarte: “... o covarde se faz covarde, que o herói se faz herói; há sempre uma possibilidade para o covarde de já não ser covarde, como para o herói de deixar de ser. O que conta é o compromisso total, e não um caso particular, uma ação particular que vos liga totalmente.”
Lembremos do caso dos Alcoólicos Anônimos. Eles estão vencendo dia pós dia essa batalha. Por outro lado, alguns alcoólatras dizem que vão parar, passam um tempo e depois voltam. Vão perdendo a credibilidade. Credibilidade??? Quando resolvem parar novamente a família, baseada em fatos passados, acreditam que em breve voltará a bebedeira e são os primeiros a desmotivar.
O futuro é escrito pele presente mais o passado e não somente o passado.
E aê, cadê o compromisso da sociedade quanto ao tratamento que deve ser dado aos taturanicos e gabirus? Estamos sentados no sofá esperando por mais Sapucaia, Paulo Rubim? Até estamos se saindo bem, mas não podemos esmorecer. Quer dizer, esmorecer? Já esmorecemos, grande maioria não fez ou faz nada e nem está interessada em saber o que acontece. Releia o antepenúltimo parágrafo antes de continuar.
Como viver a existência individual e a coletiva simultaneamente? Como construir a si mesmo e a humanidade ao mesmo tempo? Como manter meu status quo com meus benefícios, privilégios e mimos? E como viver o tempo presente – passado - futuro sendo o que não se era, e se tornando continuamente (mito fundador enraizado e sendo transmitido ao longo do tempo)?
Sartre propõe uma universalidade humana que não é dada, não é determinada, mas construída a cada escolha, a cada ato. Não se é herói por um único ato. É-se herói a cada ato, em cada instante.
“Por conseqüência, quando, num plano de autenticidade total, reconheci que o homem é um ser no qual a essência é precedida pela existência, que é um ser livre, que não pode, em quaisquer circunstâncias, senão querer a sua liberdade, reconheci, ao mesmo tempo, que não posso querer senão a liberdade dos outros. Assim, em nome desta vontade de liberdade, posso formar juízos sobre aqueles que procuram ocultar-se da total gratuidade da sua existência e a sua total liberdade. Aos que a si próprio esconderem por espírito de seriedade ou com desculpas deterministas, a sua liberdade total, aplidá-los-ei de covardes; aos outros, que tentarem demonstrar que a sua existência era necessária quando ela é a própria contingência do aparecimento do homem na terra, chamá-los-ei de safados”. SARTRE
Que texto grande e confuso. Encerrando, acho todos querem ser felizes. Acho que ser feliz é ter futuro e é dar futuro. Queremos ser felizes e acordamos todos os dias com esse desejo. Mas ser feliz não é uma sorte, nem é ausência de problemas. É viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. E isso... uhn... isso só depende de você e mais ninguém.
O nome foi difícil a escolher. Saímos de “cantinho do samuca” para “entifada” até chegar em “amigo imaginário”. Puts, muito... isso o que você está pensando? Mas a idéia não foi minha. Foi uma sessão de brainstorming heheheAs explicações para o nome escolhido depois virão. Vamos lá, febre indo para casa do chapéu, passar um sinal vermelho e receber uma multa. Uma cachoeira perto de mim. Isso mesmo, mas não é linda nem emocionante. Essa cachoeira aborrece qualquer um, porque é a catarro que não pará.
Resolvi publicar uns textos antigos, pois todos eles têm um relacionamento com esse.E o mito fundador, será que vai para casa do chapéu? Vamos refletir...
Estamos aqui, simplesmente existindo, corporificados por meio da matéria. E, de acordo com nossas escolhas e ações, tornamo-nos aquilo que fazemos de nós mesmo. Quantas vezes pensamos não ter escolha? Será que vivemos como se existisse um destino traçado, determinado, sem que tenhamos mérito ou responsabilidade por aquilo que somos? Quantas vezes olhamos para nossa vida e nos sentimos insatisfeitos com o que somos, com o que fizemos de nos mesmos?
Nessas horas é fácil atribuir a responsabilidade pelo que somos e fizemos às contingências, a um destino necessário, a uma forma de vida imposta por um contexto . Mas essa postura pode levar a uma espécie de conformismo, a uma aceitação resignada de nossas insatisfações e indignações, a uma inação, perpetuando um modo de ser que não corresponde às nossas necessidades.
Lembrem que o mito fundador é fator influenciador do nosso destino. Isso mesmo: apenas influenciador. Ele não é determinante. Entendam isso...
Se pensarmos que há uma essência previamente determinada, nada poderemos fazer, exceto atualizá-la, ou seja, viver o que foi traçado por nós por algo ou alguém. Devemos atribuir a nos mesmos a responsabilidade e o mérito por aquilo que fizemos e fazemos de nos, mas não basta querer, desejar.
São nossas escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos. A ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação de prêmios e castigos, porém como o resultado de um processo contínuo de construção de “mim e de ti” heheheheh. Não se trata de uma simples relação de causa e efeito, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz aprendendo, apreendendo e errando. Ou seja, vivendo.
Alguns acham que essa idéia tornar o ser humano egoísta, individualista, sendo permitido fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo. Será que elimina a responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?
Como diria o eterno Raul Seixas, inspirado em Aleisteir Crowley: “Fazes o que tu queres há de ser tudo da lei”.
Vamos encarar por outro prisma. Consideremos o homem responsável pela construção de si mesmo e de toda a humanidade. Devemos mais do que avaliar o impacto de nossas ações sobre o mundo ou o outro, muito mais do que respeitar os costumes morais e leis devemos “assumir as conseqüências” de nossos atos e escolhas.
Não há desculpas, todo agir implica na construção de si mesmo e da humanidade. Assim, a responsabilidade por cada ação é inevitável. Escolhemos como se toda a humanidade escolhesse conosco, como se cada homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve questionar a si próprio: terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus atos? E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a angustia”.
Na realidade, as coisas serão tais como o homem tiver decidido que elas sejam. E isso não implica na inexistência de um contexto, de circunstâncias adversas, de dificuldades existenciais. Não decidimos acerca do que os contextos socioeconômicos fazem conosco, muito menos sobre situações geradas por fenômenos naturais; não escolhemos a situação social em que nascemos, nem a educação que recebemos.
Nossa escolha diz respeito como isso nos afeta e ao que faremos com isso. Mas o que estamos fazendo diante de tanta miséria? Tanto dinheiro mal aplicado?
Conforme Sarte: “... o covarde se faz covarde, que o herói se faz herói; há sempre uma possibilidade para o covarde de já não ser covarde, como para o herói de deixar de ser. O que conta é o compromisso total, e não um caso particular, uma ação particular que vos liga totalmente.”
Lembremos do caso dos Alcoólicos Anônimos. Eles estão vencendo dia pós dia essa batalha. Por outro lado, alguns alcoólatras dizem que vão parar, passam um tempo e depois voltam. Vão perdendo a credibilidade. Credibilidade??? Quando resolvem parar novamente a família, baseada em fatos passados, acreditam que em breve voltará a bebedeira e são os primeiros a desmotivar.
O futuro é escrito pele presente mais o passado e não somente o passado.
E aê, cadê o compromisso da sociedade quanto ao tratamento que deve ser dado aos taturanicos e gabirus? Estamos sentados no sofá esperando por mais Sapucaia, Paulo Rubim? Até estamos se saindo bem, mas não podemos esmorecer. Quer dizer, esmorecer? Já esmorecemos, grande maioria não fez ou faz nada e nem está interessada em saber o que acontece. Releia o antepenúltimo parágrafo antes de continuar.
Como viver a existência individual e a coletiva simultaneamente? Como construir a si mesmo e a humanidade ao mesmo tempo? Como manter meu status quo com meus benefícios, privilégios e mimos? E como viver o tempo presente – passado - futuro sendo o que não se era, e se tornando continuamente (mito fundador enraizado e sendo transmitido ao longo do tempo)?
Sartre propõe uma universalidade humana que não é dada, não é determinada, mas construída a cada escolha, a cada ato. Não se é herói por um único ato. É-se herói a cada ato, em cada instante.
“Por conseqüência, quando, num plano de autenticidade total, reconheci que o homem é um ser no qual a essência é precedida pela existência, que é um ser livre, que não pode, em quaisquer circunstâncias, senão querer a sua liberdade, reconheci, ao mesmo tempo, que não posso querer senão a liberdade dos outros. Assim, em nome desta vontade de liberdade, posso formar juízos sobre aqueles que procuram ocultar-se da total gratuidade da sua existência e a sua total liberdade. Aos que a si próprio esconderem por espírito de seriedade ou com desculpas deterministas, a sua liberdade total, aplidá-los-ei de covardes; aos outros, que tentarem demonstrar que a sua existência era necessária quando ela é a própria contingência do aparecimento do homem na terra, chamá-los-ei de safados”. SARTRE
Que texto grande e confuso. Encerrando, acho todos querem ser felizes. Acho que ser feliz é ter futuro e é dar futuro. Queremos ser felizes e acordamos todos os dias com esse desejo. Mas ser feliz não é uma sorte, nem é ausência de problemas. É viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. E isso... uhn... isso só depende de você e mais ninguém.
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