E aê galera, resolvi criar um blog para tentar gerar discussão. Vamos vê no que dará.
O nome foi difícil a escolher. Saímos de “cantinho do samuca” para “entifada” até chegar em “amigo imaginário”. Puts, muito... isso o que você está pensando? Mas a idéia não foi minha. Foi uma sessão de brainstorming heheheAs explicações para o nome escolhido depois virão. Vamos lá, febre indo para casa do chapéu, passar um sinal vermelho e receber uma multa. Uma cachoeira perto de mim. Isso mesmo, mas não é linda nem emocionante. Essa cachoeira aborrece qualquer um, porque é a catarro que não pará.
Resolvi publicar uns textos antigos, pois todos eles têm um relacionamento com esse.E o mito fundador, será que vai para casa do chapéu? Vamos refletir...
Estamos aqui, simplesmente existindo, corporificados por meio da matéria. E, de acordo com nossas escolhas e ações, tornamo-nos aquilo que fazemos de nós mesmo. Quantas vezes pensamos não ter escolha? Será que vivemos como se existisse um destino traçado, determinado, sem que tenhamos mérito ou responsabilidade por aquilo que somos? Quantas vezes olhamos para nossa vida e nos sentimos insatisfeitos com o que somos, com o que fizemos de nos mesmos?
Nessas horas é fácil atribuir a responsabilidade pelo que somos e fizemos às contingências, a um destino necessário, a uma forma de vida imposta por um contexto . Mas essa postura pode levar a uma espécie de conformismo, a uma aceitação resignada de nossas insatisfações e indignações, a uma inação, perpetuando um modo de ser que não corresponde às nossas necessidades.
Lembrem que o mito fundador é fator influenciador do nosso destino. Isso mesmo: apenas influenciador. Ele não é determinante. Entendam isso...
Se pensarmos que há uma essência previamente determinada, nada poderemos fazer, exceto atualizá-la, ou seja, viver o que foi traçado por nós por algo ou alguém. Devemos atribuir a nos mesmos a responsabilidade e o mérito por aquilo que fizemos e fazemos de nos, mas não basta querer, desejar.
São nossas escolhas e ações cotidianas que nos tornam aquilo que somos. A ação do momento presente lança para o futuro o que será vivido, assim como o que somos hoje é resultado daquilo que fizemos anteriormente, não em uma relação de prêmios e castigos, porém como o resultado de um processo contínuo de construção de “mim e de ti” heheheheh. Não se trata de uma simples relação de causa e efeito, entretanto de um complexo projeto, sempre em construção, que se faz aprendendo, apreendendo e errando. Ou seja, vivendo.
Alguns acham que essa idéia tornar o ser humano egoísta, individualista, sendo permitido fazer o que bem entender, sem considerar o impacto de suas ações sobre o outro e sobre o mundo. Será que elimina a responsabilidade sobre tal impacto, levando-lhe a se preocupar exclusivamente consigo mesmo?
Como diria o eterno Raul Seixas, inspirado em Aleisteir Crowley: “Fazes o que tu queres há de ser tudo da lei”.
Vamos encarar por outro prisma. Consideremos o homem responsável pela construção de si mesmo e de toda a humanidade. Devemos mais do que avaliar o impacto de nossas ações sobre o mundo ou o outro, muito mais do que respeitar os costumes morais e leis devemos “assumir as conseqüências” de nossos atos e escolhas.
Não há desculpas, todo agir implica na construção de si mesmo e da humanidade. Assim, a responsabilidade por cada ação é inevitável. Escolhemos como se toda a humanidade escolhesse conosco, como se cada homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve questionar a si próprio: terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus atos? E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a angustia”.
Na realidade, as coisas serão tais como o homem tiver decidido que elas sejam. E isso não implica na inexistência de um contexto, de circunstâncias adversas, de dificuldades existenciais. Não decidimos acerca do que os contextos socioeconômicos fazem conosco, muito menos sobre situações geradas por fenômenos naturais; não escolhemos a situação social em que nascemos, nem a educação que recebemos.
Nossa escolha diz respeito como isso nos afeta e ao que faremos com isso. Mas o que estamos fazendo diante de tanta miséria? Tanto dinheiro mal aplicado?
Conforme Sarte: “... o covarde se faz covarde, que o herói se faz herói; há sempre uma possibilidade para o covarde de já não ser covarde, como para o herói de deixar de ser. O que conta é o compromisso total, e não um caso particular, uma ação particular que vos liga totalmente.”
Lembremos do caso dos Alcoólicos Anônimos. Eles estão vencendo dia pós dia essa batalha. Por outro lado, alguns alcoólatras dizem que vão parar, passam um tempo e depois voltam. Vão perdendo a credibilidade. Credibilidade??? Quando resolvem parar novamente a família, baseada em fatos passados, acreditam que em breve voltará a bebedeira e são os primeiros a desmotivar.
O futuro é escrito pele presente mais o passado e não somente o passado.
E aê, cadê o compromisso da sociedade quanto ao tratamento que deve ser dado aos taturanicos e gabirus? Estamos sentados no sofá esperando por mais Sapucaia, Paulo Rubim? Até estamos se saindo bem, mas não podemos esmorecer. Quer dizer, esmorecer? Já esmorecemos, grande maioria não fez ou faz nada e nem está interessada em saber o que acontece. Releia o antepenúltimo parágrafo antes de continuar.
Como viver a existência individual e a coletiva simultaneamente? Como construir a si mesmo e a humanidade ao mesmo tempo? Como manter meu status quo com meus benefícios, privilégios e mimos? E como viver o tempo presente – passado - futuro sendo o que não se era, e se tornando continuamente (mito fundador enraizado e sendo transmitido ao longo do tempo)?
Sartre propõe uma universalidade humana que não é dada, não é determinada, mas construída a cada escolha, a cada ato. Não se é herói por um único ato. É-se herói a cada ato, em cada instante.
“Por conseqüência, quando, num plano de autenticidade total, reconheci que o homem é um ser no qual a essência é precedida pela existência, que é um ser livre, que não pode, em quaisquer circunstâncias, senão querer a sua liberdade, reconheci, ao mesmo tempo, que não posso querer senão a liberdade dos outros. Assim, em nome desta vontade de liberdade, posso formar juízos sobre aqueles que procuram ocultar-se da total gratuidade da sua existência e a sua total liberdade. Aos que a si próprio esconderem por espírito de seriedade ou com desculpas deterministas, a sua liberdade total, aplidá-los-ei de covardes; aos outros, que tentarem demonstrar que a sua existência era necessária quando ela é a própria contingência do aparecimento do homem na terra, chamá-los-ei de safados”. SARTRE
Que texto grande e confuso. Encerrando, acho todos querem ser felizes. Acho que ser feliz é ter futuro e é dar futuro. Queremos ser felizes e acordamos todos os dias com esse desejo. Mas ser feliz não é uma sorte, nem é ausência de problemas. É viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. E isso... uhn... isso só depende de você e mais ninguém.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
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