E aê galera, volto a escrever...
Que título indignado, não? Pois bem, trecho da letra do hino da terra dos índios Caetés. Isso mesmo, Alagoas!!! Se prestarmos atenção ao nosso hino, retrata apenas um ideal muito distante.... mas muito distante mesmo.
Estamos diante de um espetáculo triste e vergonhoso na história recente de Alagoas. E o que acontece conosco, os que comem, dormem, têm acesso à transporte, à saúde e à internet (informação)? Partimos para abstrações, para os gritos de alerta, para um desejo vazio de reforma/revolução que ninguém sabe qual é.
Aceitamos calado (falar por falar e não fazer nada é ficar calado) as denúncias de desvio de quase R$ 300 milhões da Assembléia e mais não sei quanto do governo estadual passado.
Ficamos alegre com a decisão do Sapucaia em afastar alguns membros da Assembléia. Mas não nos atentamos que o novo desembargador que poderá ocupar a vaga de Sapucaia pode ser algum juiz que tenha laços de amizades promíscuos com alguns políticos denunciados pela eficiente Polícia Federal. Tão pouco nos chocamos com ex-presidente afastado ter participado do encontro dos Presidentes das Assembléia Legislativa do Nordeste, realizado no CE semana passada, no qual contou apenas e unicamente com os ATUAIS PRESIDENTES do Legislativo de cada estado do nordeste.
Apesar de não ter ocorrido, até agora, assaltos aos bancos em nosso estado, já começaram alguns assassinatos políticos.
Como assim?? Não sei, só sei que é assim...
A ausência de utopias disponíveis cria uma falta de esperança, uma confusão mental nos povos, cria uma fome de sentido que só o totalitarismo ou a religião podem satisfazer, como por exemplo a Alemanha de Hittler, o próprio Brasil de Vargas e até mesmo as grandes mercearias que vendem terreno no céu. Dessa forma, escolhemos os candidatos pela sua imagem de bonzinho e santo protetor. Seus marqueteiros, que estudaram como descobrir e suprir as necessidades da sociedade, descobrem que é mais fácil usar o emocional da população ¿alienada¿ para conseguir eleger os seus patrões. E assim, o binômio esquerda X direita dá espaço às lutas sacras: de um lado o bem e do outro o mal; as quais vão cumprindo uma determinação histórica, um desejo inconsciente de clareza contra a labiríntica complexidade da vida social.
Já na nossa realidade de coloniais “exilados em sua própria terra” com pensamento progressista ou reformista, isso nem é mais usado. Estamos tão defasados que vivemos nem como coloniais, mas sim como camponeses, aceitando mandos e desmandos dos senhores feudais.
Vivemos numa sociedade competitiva, de mercado, periférica ao capitalismo central, subdesenvolvida econômica e espiritualmente que só consegue encontrar "saídas" - raras, raríssimas - para indivíduos. E o indivíduo que consegue libertar de toda a opressão imposta, tende a reedificá-la transformando-se em opressor também (falo isso sobre vários aspectos: econômico, social, cultural, espiritual/religioso), é o velho papo de antagonismo de classes, bem ilustrado por Karl Marx em sua grande obra, e como, também, Thomas Hobbes ilustra em seus pensamentos: “a primeira lei natural do homem é a da preservação, que o induz a impor-se sobre os demais – guerra de todos contra todos”. E esta secular e perversa estrutura individualista se reproduz como um câncer, obliterando: a razão, as emoções e os sentimentos das pessoas. São raros que se indignam com tanta miséria, degradação moral e social nas nossas ruas. Quer-se, acima de tudo, o "bem" para si próprio - seja lá o que for que isto signifique dentro de um contexto humano! Raramente se pensa ou se trabalha em prol da coletividade.
Agora pergunto, e até mesmo vocês podem se perguntar. Quem é esse playboy metido a merda que não sabe nada além do que se passa em frente aos seus olhos; que falta muita vivência do dia-a-dia e que, principalmente, pouco faz além de escrever e falar?
Boa, pergunta. Mas não sei responder. Só sei que não podemos continuar apavorados, sempre à espera que as coisas melhorem por um milagre qualquer, ou com trabalhos íntegros, mas isolados, como de Sapucaia ou Barenco. Continuamos a achar que a solução seria resolver isso ou aquilo no mundo da própria miséria. Não. Nosso drama não é ausência de solução. É que não entendemos o problema.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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4 comentários:
“E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou...”
Rodamos... Rodamos... E paramos sempre no mesmo ponto; a inércia que se apoderou das mentes entorpecidas pelas ilusões e passividade, ao invés de sonhos e labor... E o que a falta destes podem causar, não é? Não vou me ater a Brasil... pq daí são muitas conjunturas que formam essa diversidade verde e amarela... Vamos falar desse nosso Estado maravilhoso... sui generis que é dotado de uma lógica própria... Que tem mais num sei quantas mil crianças na escola só este ano de 2008 (só não digam a elas que não precisam mais estudar... pq o negócio aqui não é qualidade, são números... elas vão sim terminar o ensino médio mesmo que não queiram)... Pq HONESTAMENTE, nunca se fez tanto... Que contratou uma cacetada de novos professores (em sua maioria, semi-analfabetos) para ensinar as crianças analfabetas, pq o analfabeto que os contratou segue a risca o que o analfabeto recauchutado (modelo 2007-2010) acatou dos, aí sim, estudados, espertíssimos e fodamaster anglo-saxões blue.red condicionaram para aplicarem suas verdinhas aqui. Ou podemos falar de nós mesmos como potência da cana de açúcar (que orgulho viril!!!!!! Meu Deus!) Vamos aos dados... Atenção por favorrrrrr!!! Éramos segundo lugar... Passamos para ------> Quarto lugar e...e...e...e... Acreditem--- vamos cair mais... O motivo é simples nossas terras estão ficando inférteis pela secular monocultura e queimadas cíclicas... agora me digam... Ahhh digam nada não... q vou parar por aqui... o assunto me deu soninho... tenho aula amanhã... a intenção era somente colocar lenha na fogueira!!! e não vou gastar o meu verbete para falar de nossa SUSTENTABILIDADE POLÍTICA que o parceiro emo já falou muito bem!
Digamos que tudo isso que O Ser e o Nada vem comentando sobre os tristes episódios polítocs/sociais seja decorrente de uma completa falta de cultura, ou divulgação da mesma.
O que se espera de pessoas que não sabem de onde vieram? Com certeza não podemos esperar que elas saibam pra onde irão. E é isso q acontece nas terras alagadas: quem está no poder não sabe de onde veio, muito menos pra onde vai. O dinheiro, que eles querem a qualquer custo, reflete essa falta de perspectiva.
Mas porque digo isso? Porque simplesmente me perguntaram por esses dias sobre as comidas típicas de Alagoas. Quantos políticos conseguiriam responder essa pergunta? Pois volto a dizer, quem não sabe de onde veio não tem condições de planejar pra onde vai.
E mais, o que vivemos agora é plena consequência do passado. Se continuamos a cometer os mesmos erros é porque não estudamos História o suficiente.
Vamos estudar História, principalmente de Alagoas, para sabermos de onde viemos. E se temos alguma cultura (nossa de verdade), faz parte do processo divulgá-la.
O companheiro tocou num ponto muitíssimo interessante; CULTURA!!! Cultura se aprimora através de comunicação, interatividade e cooperação entre os indivíduos de uma sociedade, a pobreza ou não valorização da cultura figura-se em um cenário onde o acesso aos meios disseminadores de costumes coletivos é escasso.
A difusão cultural pode sofrer subordinação política, o que acarreta na imposição ou sobreposição de características sociais, causando algum tipo de fobia a própria cultura, livre deste tipo negativo de influência, a divulgação pode e vai contribuir para assimilação do indivíduo de sua cultura, orgulhando-se dela e desenvolvendo o desejo latente de preservá-la, mas, para isto, é preciso ter acesso e reconhecer os valores sociais de sua comunidade.
Os descomedidos preços de livros, revistas, CDs, DVDs entre outros, que colaboram muito na popularização das informações resumem-se a um pequeno percentual da população, o que limita o acervo cultural já que em tempos de especialização os livros técnicos se amontoam nas prateleiras.
O repasse das informações culturais fica restrito ao “boca a boca”, o que também é bom, em sua essência, desde que as pessoas sintam orgulho e não tentem acabar ou esconder suas raízes, que não cedam às pressões psicossociais, um exemplo fácil de entender como essa coerção acontece, basta analisarmos que tipo de identidade e valores culturais um indivíduo negro em uma sociedade racista irá desenvolver e comparar com um indivíduo também negro, mas que tenha crescido com sua família, sua tribo, seus costumes e que tenha participado da manutenção de sua cultura.
O que vem acontecendo com Alagoas é o efeito dessa coercitividade, a perda da identidade cultural justamente por não termos acesso a nossa cultura, não a valorizamos, mas damos os préstimos a uma cultura que não é nossa, adotamos costumes que não são nossos, uma aculturação unilateral, já que nossos elementos culturais não são reconhecidos fora do Estado, até aqui em nossos terrenos existem focos de cultura alagoana, mas não é um fato social, não é senso comum.
Cultura, será que tem algo relativo ao mito fundador???
Qual o nosso mito fundador???
Será que sabemos qual é?? E se sabemos, como lidamos com ele???
Índios Caetes, Zumbi, Calabar, Lampião, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Fernandes Lima????
Que povo é esse?? Alguém entende?? Eu não consigo entender mais nada
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